Quebrando muros…


Algumas vezes ouvi e, provavelmente, já até usei a frase que diz que as pedras que encontramos no nosso caminho devemos utilizá-las para construirmos degraus para podermos subir e alcançar o lugar mais alto. E, pensando sobre isto, analisando os problemas encontrados na nossa vida, representados pelas pedras, vejo que em vez de construir degraus acabamos por construir muros.

E estes muros são construídos ao redor de nós. E estes tijolos são colocados quando nos deparamos com alguma situação em que fomos julgados, ofendidos, magoados e confrontados. Em cada situação dessas vamos pegando nossas ferramentas e vamos edificando estes muros numa tentativa de impedir que esses sentimentos e situações voltem a acontecer. Esta é a forma que muitos de nós, em várias ocasiões da vida, usam para cuidar de si mesmo.

E não há problema nisto, o problema é quando este muro está tão grande e possui uma espessura enorme que impede que as pessoas e os sentimentos cheguem até você novamente. E o pior, impede que você saia da sua fortaleza e se relacione com os demais. Chega o momento em que este muro passar a ser o que te aprisiona em vez de ser o que te protegia.

Nesta prisão, já não há mais abertura para falar de suas próprias fraquezas, já não há mais espaço para se abrir para muitas novidades, já não há mais espaço para confiança, já não há mais espaço para mostrar quem realmente você é.

Podemos ver várias dessas prisões dentro de um mesmo terreno, ou vários mundos isolados dentro de um mesmo lar ou comunidade. Um já não se expõe para o outro, já não compartilha suas fraquezas, já não fala seus medos, não há regozijo com a alegria alheia porque, afinal, nem se tem conhecimento dela. E o relacionamento, que antes era tão forte, foi quebrado pelos muros que nós construímos nos privando de vivê-lo.

Não conhecer o outro, não conhecer suas limitações, seus desejos, suas falhas, suas qualidades, não perceber as diferenças entre nós só faz com que nos afastemos mais ainda uns dos outros. Pois, logo surgem questionamentos, como: Será que somente eu tenho este problema? Somente eu enfrento ou enfrentei esta situação na vida? E agora? O que fazer? Estas perguntas acabam se tornando mais estranhas e sem respostas.

No entanto, basta que alguém comece os primeiros passos. Mesmo que ficando vulnerável, ao menos de um dos lados do muro há alguém querendo reconstruir o laço desfeito. Aos poucos o muro que foi levantado pode começar a ser derrubado, devagar e gradativamente.

Da minha parte, penso que isto ocorre por que o preconceito a respeito de tantas coisas já está tão forte que o verdadeiro sentido das coisas foram dispersas. E então, o preconceito prevalece não deixando espaço para o verdadeiro, para o real.

Vamos observar que fomos nós quem induzimos nosso vizinho a construir o muro dele e, em retribuição, outros vizinhos nos ajudaram a construir o nosso. Portanto, precisamos destruí-los juntos.

Wanessa Castro

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